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#1275

Eu perdi o momento de falar sobre meu envolvimento com MJ na época de sua morte, mas não fiquei menos chocado do que muita gente. Não pelo fato, agora comprovado, que ele teve uma overdose de calmantes, mas pela morte repentina.

Não sou fã cego, mas não estive imune ao seu sucesso. Lembro de ter visto no Fantástico as estréias de Thriller, Bad, Black or White e alguns outros. Acompanhei o seu branqueamento ao mesmo tempo que declinava sua qualidade artística. Thriller (82) é sensacional, mas ainda prefiro Of The Wall (78). Bad (87) não é ruim, mas eu me lembro dele mais pelos clipes com celebridades do que pelas músicas. De Dangerous (92), só me lembro de Black or White (clipe interessante e melodia muito legal) e Remember the Time. O que ele lançou depois foi tão insípido que eu nem mesmo me lembro do nome dele (procura no gúgol).

Ele era estranho. Ou melhor, muito estranho. Agora, vejo que a bizarrice não era só sua. Seu funeral, não era um funeral, mas sim uma “homenagem”. Seu enterro, só aconteceu 75 dias depois de sua morte.

Não chorei por Renato Russo ou Cazuza. Não era fã dos dois na época e hoje em dia eu lamento que ele não puderam continuar produzindo. O que seria da intragável música brasileira de hoje se eles continuassem vivos? Já com Cássia Eller e MJ, é diferente. Me dói muito escutar alguma música cantada por Cássia. Ela tinha uma voz linda e poderosa.

Também me dói a morte de Michael. Porra, eu dancei break quando era pré-adolecente! Ou melhor, pelo menos tentava dançar. Ele estava no ostracismo e era lembrado apenas pela bizarrice e pelas acusações de pedofilia. Eu torcia para ele arrebentar nessa turnê para poder apagar todas essas negatividades da vida particular dele. Dificilmente haverá outro artista como ele.

Se há males que vêm para o bem, pelo menos, no final, ele foi lembrado mais pelo artista que ele foi do que pelas bizarrices que ele fazia.

daspoota_
Para o batizado do meu primeiro sobrinho, resolvi inovar e viajar de Azul. Queria conferir se era tudo isso que se ouvia dizer e pude confirmar que é sim. Banco de couro, espaço maior entre as fileiras. O único porém para claustrofóbicos como eu é o tamanho menor da aeronave, revés sublimado quando o avião levantou voo.

O “lanche” é pobre, reconheço, mas prefiro escolher a quantidade que quiser de snacks do que me contentar com uma barrinha de cereal (que eu não gosto) ou um sanduíche merreco que não mata a fome, ou até mesmo aquele copinho mequetrefe de refrigerante sem gás que as companhias “normais” fornecem. Na Azul, é tudo em lata (ou em caixinha, no caso dos sucos).

Apesar de um certo amadorismo nas comissárias de bordo, não senti aquela falsidade das “profissionais” das demais companhias aéreas. Nada daquele sorriso falso e os gestos e falas frios e calculados (que eu detesto, por sinal).

Depois que a Gol cancelou o voo direto Recife – Ribeirão Preto, minhas viagens têm sido extremamente cansativas, com duração média de 10 a 11 horas. Essa última levou 9h porque eu perdi o ônibus em Campinas por 10 minutos, o que me obrigou a ficar 1h50 na rodoviária, pois há apenas uma viação que faz o percurso (ah, o monopólio…).

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Na parada do ônibus, em Limeira, havia uma excursão de pré-adolescentes no Posto Castelo (que já viveu dias melhores e atualmente é apenas uma sombra do que era antes). Aqueles projetos de gente deveriam ter uns 12, 13 anos no máximo. As meninas, todas maquiadas, botas de salto alto e roupas que nem pootas de rua usam. Elas, crentes que estavam abafando no figurino “eu sou mulher” (sic). Os meninos, cada vez mais infantis e bobos, sem o menor constrangimento de parecerem… bobalhões.

Já em Orlândia, nas visitas obrigatórias aos parentes, me deparo com uma prima (que não tenho muito contato porque é daquelas que valorizam o “parecer” em detrimento do “ser”), um ano mais nova e já com duas filhas. A mais velha, de 16 anos, com os peitos siliconados e o nariz “arrumado”. A mais nova, de uns 8 anos, com as unhas pintadas de vermelho forte como as da mãe. Uma vez, me disseram que esse comportamento das meninas atuais é por causa das mães. Na hora refutei, mas vejo que o fato nunca foi tão verdadeiro.

Sinal dos tempos ou eu que estou ficando velho e ranzinza mesmo?

#1273

Já se sabe que o moral do brasileiro médio é extremamente flexível. Sérgio Buarque já nos alertava sobre o Brasileiro Cordial desde 1936 em seu “Raízes do Brasil” (puristas, estou fazendo uma “interpretação livre” do conceito). Exemplificando de forma mais tangível (via TV), a tendência já vinha sendo observada desde a época do Você Decide (ah, que falta que ele faz), atingindo seu ápice mais recentemente, nas novelas Belíssima (Bia Falcão), Paraíso Tropical (Bebel) e Duas Caras (Marconi Ferraço). O “mal” não é “tão mal” assim.

Na sexta, um suicídio e na segunda, a “rememorança” dos 55 anos de outro, ocasionaram dois FEBEAPÁs que me causaram arrepios na espinha.

O festival de asneira que se seguiu no twitter após o suicídio da blogueira/twitteira ematoma me fez acreditar um pouco menos na humanidade. A Internet, ao tirar o contato físico entre as pessoas, desumanizou-as. O que teve de estúpidos condenando a coitada sob a hipocrisia de “ter uma opinião sobre o assunto” não foi brincadeira. E essas criatura nem a conheciam. Se for para escrever merda, vá cagar e escreva nela. Ninguém pediu sua “opinião”. O(s) motivo(s), só ela sabia. Pensava que o cúmulo tinha sido uma adolescente, certamente fútil, escrever algo no estilo “ninguém me lê, vou fazer como a ematoma e me matar”. Tem isso também, mas prefiro acreditar que é montagem, pois alguém que escreve isso não é insensível, é calhorda mesmo.

Mas risível mesmo foi a série de “comemorações” exultando a “visão” do facínora chamado Getúlio Vargas, que se suicidou para “entrar na história” (palavras dele). Merecia entrar pelas portas dos fundos, pois ele tem sangue de seus opositores nas mãos. Uma boa ação não anula as atrocidades contra as vidas humanas que ele cometeu. Todo mundo pensa que foi apenas Olga Benário, mas foram muitos outros.

Gostaria de lembrar que disse isso e as palavras exatas da pessoa, quando discutia a “moral” das pessoas. Ela disse que os ricos e os pobres têm suas morais próprias, já a classe média e a “culpa católica”… Daí advém o “brasileiro medio”, dessa burguesia que se acha culturalizada.

Definitivamente, um bicho bem curioso para ser estudado.

Numa semana em que o pragmatismo venceu o “programa histórico”, só há uma coisa a fazer em 2010:

naoreeleja

@ Alê Félix

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