
Eu perdi o momento de falar sobre meu envolvimento com MJ na época de sua morte, mas não fiquei menos chocado do que muita gente. Não pelo fato, agora comprovado, que ele teve uma overdose de calmantes, mas pela morte repentina.
Não sou fã cego, mas não estive imune ao seu sucesso. Lembro de ter visto no Fantástico as estréias de Thriller, Bad, Black or White e alguns outros. Acompanhei o seu branqueamento ao mesmo tempo que declinava sua qualidade artística. Thriller (82) é sensacional, mas ainda prefiro Of The Wall (78). Bad (87) não é ruim, mas eu me lembro dele mais pelos clipes com celebridades do que pelas músicas. De Dangerous (92), só me lembro de Black or White (clipe interessante e melodia muito legal) e Remember the Time. O que ele lançou depois foi tão insípido que eu nem mesmo me lembro do nome dele (procura no gúgol).
Ele era estranho. Ou melhor, muito estranho. Agora, vejo que a bizarrice não era só sua. Seu funeral, não era um funeral, mas sim uma “homenagem”. Seu enterro, só aconteceu 75 dias depois de sua morte.
Não chorei por Renato Russo ou Cazuza. Não era fã dos dois na época e hoje em dia eu lamento que ele não puderam continuar produzindo. O que seria da intragável música brasileira de hoje se eles continuassem vivos? Já com Cássia Eller e MJ, é diferente. Me dói muito escutar alguma música cantada por Cássia. Ela tinha uma voz linda e poderosa.
Também me dói a morte de Michael. Porra, eu dancei break quando era pré-adolecente! Ou melhor, pelo menos tentava dançar. Ele estava no ostracismo e era lembrado apenas pela bizarrice e pelas acusações de pedofilia. Eu torcia para ele arrebentar nessa turnê para poder apagar todas essas negatividades da vida particular dele. Dificilmente haverá outro artista como ele.
Se há males que vêm para o bem, pelo menos, no final, ele foi lembrado mais pelo artista que ele foi do que pelas bizarrices que ele fazia.



